LIVRO: CARTA DE AMOR À AMÉRICA (YURI BEZMENOV)(CAPÍTULO 5)

(Apesar dessa tradução ser MINHA, dono deste blog, ela está aberta ao público para TODOS os fins. Não adianta ser rico em um país onde não há nada nas prateleiras, não adianta vencer onde a humanidade inteira perde. Dar os créditos ao citar os textos, no entanto, não deixará ninguém mais pobre e ajudará a divulgar a iniciativa. Obrigado!)

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Combatentes medievais minando a muralha de um castelo.
 

CAPÍTULO 5 - DESESTABILIZAÇÃO

ESTÁGIO DOIS (DOS QUATRO ESTÁGIOS DE SUBVERSÃO): DESESTABILIZAÇÃO

    Aqui os esforços do subversor resumem-se às “fundações” (estruturas internas de poder de uma nação alvo): relações exteriores; economia e “fibra social”. Se o estágio anterior, da DESMORALIZAÇÃO, for bem-sucedido, o subversor não precisará mais se preocupar com as suas IDEIAS e com sua VIDA. Agora ele chega à medula espinhal de seu país e TE ajuda a levar sua própria sociedade para o estado de DESESTABILIZAÇÃO. Isso pode levar de 2 a 5 anos, dependendo da maturidade de uma nação e de sua capacidade de mobilizar-se para resistir.

Luta pelo poder

    O primeiro sintoma de instabilidade é expresso pelo desejo da população de elevar ao poder políticos e partidos que são carismáticos, que agem como bons “zeladores” e prometem mais “segurança” - não de inimigos externos ou estrangeiros, mas sim “segurança” de emprego, serviços sociais “gratuitos” e outros “golpes de prazer” aplicados pelo “Big Brother”. Concentrando as atenções de uma nação em soluções paliativas de curto prazo e “melhorias”, políticos irresponsáveis simplesmente procrastinam e adiam ao máximo o dia de encarar “o momento da verdade”, quando a nação terá que pagar um preço muito maior pelo problema principal e basilar – trazer o país de volta à estabilidade e restaurar sua fibra moral.

    Um fator que compõe esse estágio é a participação de “movimentos populares” das “massas” no processo político. As “massas” desmoralizadas e debilitadas tendem a agarrar o atalho “mais curto” para os males sociais e o socialismo parece ser a melhor resposta. As tradicionais instituições nacionais parecem não funcionar mais. Elas são gradualmente substituídas por “comitês de cidadãos”* e “conselhos” militantes criados artificialmente, que adquirem cada vez mais e mais poder político. Esses órgãos, que, em essência, são reflexos espelhados de estruturas totalitárias de poder, são cada vez mais “ativos” em sua mobocracia, o governo de uma multidão de CONSUMIDORES radicalizados. Ao mesmo tempo, a espinha dorsal da economia - o processo de livre negociação - gradualmente cede ao princípio de “economia planejada” e “centralização”.

*N.E.: Esses comitês eram chamados na Rússia de "sovietes".

    Com a destruição final do processo de livre negociação, o poder econômico
predominante passa para as mãos do “
Big Brother”, o Estado, que funciona cada vez
mais “em conluio” com megamonopólios e sindicatos monopolizados. A famosa
“divisão de poderes” não mais governa as linhas judiciais, legislativas e executivas,

mas é substituída pela burocracia no governo, burocracia nos negócios e burocracia no
trabalho. 

    Na área de relações exteriores, a América está sendo empurrada mais e mais
para o isolacionismo e para o derrotismo. Os poucos aliados restantes olham com horror
para o destino das nações que foram traídas e abandonadas pelos EUA e tentam
encontrar “suas próprias soluções”, que muitas vezes vêm com o “estabelecimento de
relações amistosas” com a URSS e seu império comunista. O cerco militar da
América prossegue em um ritmo cada vez forte e os políticos desmoralizados não
são mais capazes ou não estão dispostos a enfrentar a inevitável realidade.
Suprimentos militares soviéticos e cubanos, além de intervenções diretas, parecem ser menos perigosos, aos olhos dos legisladores dos Estados Unidos, do que “perder o status” dos EUA “violando leis internacionais” para minar portos nicaraguenses na tentativa de impedir a exportação da revolução comunista para a região. A maioria dos americanos acredita que é seu país - a América - é quem “viola” o direito internacional, não a URSS e seus
países subordinados. O americano médio pode nem mesmo perceber que a “Corte
Internacional” nada mais é do que uma criação artificial da Assembleia Geral da
ONU, controlada pelos soviéticos.

    Durante todo esse estágio de DESESTABILIZAÇÃO, os monopólios
“multinacionais” ocidentais continuam a negociar, estender créditos, fornecer
tecnologia e
apaziguar “diplomaticamente” o SUBVERSOR - o Comitê Central da
URSS. Em total desrespeito aos interesses dos povos da América e da URSS, esses dois
gigantes continuam a ampliar sua ajuda mútua. E a mídia americana ainda continua
falando sobre “atritos” entre as NAÇÕES (EUA - URSS)! Que “atritos”? O camarada
Petrov em Omsk não tem ATRITOS com o Sr. Smith em Pittsburg. Na verdade, eles
nunca tiveram a chance de se conhecerem graças aos Acordos de Helsínquia.
O camarada Petrov, tem sim ATRITOS com os seus opressores - a junta do Kremlin, que
lhe manda fazer guerra ao Afeganistão, Vietnã, Angola e Nicarágua. O camarada
Petrov não quer guerra contra a América. Nem o Sr. Smith quer lutar contra a “Rússia”.
Mas eles podem ter que guerrear se o processo de DESTABILIZAÇÃO for bem
sucedido na América. Uma vez bem sucedido, o processo inevitavelmente desliza para...

 

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